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CENA URBANA
CENA URBANA Lílian Maial na turbulência das ruas a harmonia do caos emerge da sarjeta pequenas folhas correm para o ralo como a acariciar granitos loucos em sua rigidez sofrendo com os bêbados as meninas de rua drogados corpos desovados o orvalho das manhãs vem lavar o sangue das tragédias o desespero das ausências o silêncio dos ventos apáticos na copa das árvores alheias a tudo novas folhas se balançam arteiras e ternas desconhecendo a lama o esgoto e seu destino final o homem varre as folhas no solo na cadência dos gestos selando o caminho das que foram, horas antes, alegria verde poesia ***********
Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 04/01/2006
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