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Lílian Maial Em mim, eu trago os males de quem muito amou: A sede de entender as pistas das estrelas, A fome de saber o ponto que escapou, A angústia de esperar as noites, e não vê-las. No peito, eu tenho a cor do dia que passou: O negro pavoroso e assustador das telas, O sangue rutilante que nunca estancou, O cinza do tormento e náusea das procelas. E tento misturar nuanças e sentidos, Me pego ouvindo som do riso e dos gemidos, E a tal canção que escuto só me traz desgosto. Se pinto o amanhecer caiado de esperança, A tinta que me escorre espalha só lembrança, E a tela me revela a imagem do teu rosto. ******** *pintura de João Barcelos Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 16/01/2008
Alterado em 16/01/2008 Comentários
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