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PESCADORA
Preciso aprender com o mar a conter-me onda abarcar todo esse sal e sorrir azul. Decidi brigar com os peixes que te habitam as profundezas e destilar a dor em espuma e brisa. Hoje bóio à deriva, feito náufraga, imersa em água e, mesmo assim, a morrer de sede. Transbordo saudade, recebo plácida as gaivotas que me pousam angústia. Mergulho nessas águas que te banham a alma e te escorrem dos olhos, e resgato um beijo de tua boca abissal. Volto à superfície, esvazio com a maré, deixando expostas as formações rochosas feridas pétreas que tua ausência sangra. Nessa rede, nem tudo o que cai é peixe. Aprendiz de pescador, silêncio e espera cortam mais que faca afiada. **************
Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 24/11/2005
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