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![]() MARIA
Lilian MaialNão me chamo Maria, mas gerei o escolhido, pois que todos os filhos são escolhidos, com o peso da salvação sobre seus ombros. Não me chamo Maria, mas senti a impotência da mãe, que vê seu filho sangrar, sem conseguir estancar. Não me chamo Maria, mas carrego a cruz do amor indizível, a dor do peito pleno de maternidade e morte, do jogo de gozo e lágrimas do caminho. Não me chamo Maria, mas sei da crucificação em via pública, da lança perfurando o futuro, do manto do desespero a cobrir as chagas. Não me chamo Maria, mas vejo a última expiração do meu filho, de todos os filhos, dos escolhidos e esquecidos, dos que nasceram puros e amaldiçoados, marcados pelo o fio da lâmina. Não me chamo Maria, mas sou maria. Sou todas as marias que velam seus frutos. As que ficaram. ****** Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 11/08/2020
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