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O VENTO DE NERUDA
*homenagem a Pablo Neruda, por Lílian Maial O vento é um doce pássaro de asas abertas, de bicos pontudos, Rondando-me e atraindo-me, tentando me afastar de ti. Não, não quero ir! Quero abraçar a vida e o amor, passar meus dias em teus braços, caminhando lado a lado. Guarda-me em teu peito, silencia meu compasso, apenas por uns instantes, até que ele não mais sopre e me esqueça. Faze de teu corpo meu albergue, enquanto a tempestade busca outros caminhos, outros amantes, outros rochedos. Ouve o som da revoada! É o vento me querendo, me caçando, tentando me levar pra longe. Não, amado, não deixa! Cobre-me com teu corpo, abraça-me com teu amor, aquece-me com teu calor, que ele passará e pousará noutro corpo sem alento. Vai, esquece o vento! Deixa que parta, que me procure louco, vendavais e tormentas, por entre vales, montanhas, oceanos, que eu me enterro em teu sorriso, e durmo tranqüila, protegida, por um instante. ************
Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 07/11/2005
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