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MEU AVESSO
Meu Avesso
Lílian Maial Meu avesso hoje me cobre, bicho-da-seda das minhas entranhas, eviscerada mulher de muitas faces, que assanha os espelhos estilhaçados. Meu avesso hoje me ilumina e rege meus passos e movimentos, como a troca de pele das cobras, renasço mais eu, a cada escalpo. Meu avesso hoje me enfeita, destilo os brilhos de meus olhos, o gosto de meus fluidos, e o cheiro de meus cios. Meu avesso hoje sou eu, que me sorrio para dentro e me aliso os temores, que me enxergo os defeitos e me reparo os danos, que me recolho por opção, ou me exibo por decisão, que me comparo ao diabo e me elevo a deus, que me perdôo e condeno, ao bel-prazer do meu querer. Meu avesso é dupla-face, tão igual ao meu verso, que custo a entender, ao acordar, que em minha casa não há espelhos. *************
Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 07/11/2005
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