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![]() A MATA
Lilian Maial Num instante combustível A casa ardendo, o choro árido No canto do olho, a remela cinza O fogo lambendo a cria Um cheiro seco de sangue e seiva Evaporados verdes. As águas paréticas se arrastam mais tristes Lamento de cachoeira Em suas curvas, mais uma árvore Sucumbe à ganância e ao descaso Gemido de seiva escaldante. Sumaúmas e jatobás, Tucanos e sabiás, Tatus e jaguatiricas, Nas presas do metal Nas labaredas insaciáveis Um boto agoniza na margem esquerda do Jari. Queimam-se as lendas, Abrem- se as ventas, Mãos postas, olhos cegos À espera de uma palavra de amor. ********** Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 24/08/2019
Alterado em 21/10/2020 Comentários
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