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![]() FILHAS
Lilian Maial Os risos dos homens nas entranhas dos que têm fome. Os não olhares, flagelos na pele da infância. Como é doce brincar de irmãs e dividir o último pedaço! Um tímido dourado na nudez da tarde anuncia que a noite é próxima e o medo é pérfido. Ah! A turgência das ruas! A fulgência das duas... Meninas ainda com seus fardos. Os bolsos vazios, Os olhos vazios, Os dias vazios. O asfalto quente canta pneus desafinados. Há pássaros e cães perdidos. Tanta gente, vozes e nãos. .. É hora de voltar para casa sem paredes, nem parentes. Dormir de vigília, ouvir os risos e os borborigmos. O bucho inchado de vento. Na coberta de jornal, um poema toca o colo, aquela letra espeta a mão. Mastigar uns versos e engolir a dor. E passam os homens com seus desolhares. Não veem os sonhos com luas e seus namorados, meninos que cheiravam cola e sugavam pequenos seios magros. Logo vem a aurora - essa moça ciumenta - rouba os garotos e seus sonhos magros. Novos risos da manhã. Há que catar pedaços de pão para dividir. ****** Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 19/05/2019
Alterado em 21/10/2020 Comentários
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