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![]() A MULHER QUE QUERIA TOCAR NAS NUVENS Lílian Maial Todos os dias olhava para o céu e via nuvens. Queria estender a mão e tocá-las, acariaciá-las até se embaralharem de cócegas. Mas retirava a mão, não era para ela poder tocar em nuvens. Vez em quando chovia. Imaginava uma nuvem caindo ao solo, mas não era para ela isso também e apenas sonhava. Levava a vida entre nuvens e chuvas, entre céu e mãos, cócegas e possibilidades. O tempo passava, parecia a única a não tocar em nuvens, então, apenas estendia a mão. E vinha a chuva, raios, relâmpagos e nada de nuvens. O tempo corria no chão, feito rio no canto do olho. Até que um dia veio diferente, nublado e envolto em pássaros. Sentia-se atrevida e corajosa, névoa rara, um quase poder. Duvidou, achou que era sonho, a nuvem ali, no chão, esperando para ser tocada. Correu com as mãos esticadas, dessas de alcançar lonjuras. Medo de tropeçar, medo de desmanchar, mas essa vontade incontrolável de tocar a nuvem. Não viu o sol, não viu o arco-íris, não viu as borboletas. ***************** Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 07/03/2016
Alterado em 21/10/2020 Comentários
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