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![]() Pinot Noir
Lílian Maial Desses meus dedos curtos nascem raízes de alcançar impossíveis. Viagens de vento, felicidade de chuva e um gole de pinot noir. Os versos de vinho têm mais verdade, como os olhos que me contam o que já sei. Esse papel já não me veste. As noites me visitam e me ensurdecem de melodias. A mão pequena penetra nas vísceras, pulsa e aperta. Pode ser amanhã. A casa me esconde dos versos que não entendo. Todo esse sangue, que se derrama pela boca, coagula manhãs. Nada passa de hoje. Essa premência de pulsar e contar e beber. Hemorragia de querer. Tenho um colo de acalentar multidões, sempre vazio. Tarefa de suturar desalentos. O espelho me revela retalhos de tantas cicatrizes, que não há mais definições nos ecos. Ao longe, um canto de passado. Um vento no rosto avisa a tempestade. Eu nunca acredito no tempo, até que foi. ************************ Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 07/01/2015
Alterado em 21/10/2020 Comentários
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