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![]() JEITO DE ADEUS
Lílian Maial Vem nas notas da melodia, nos versos tristes de uma canção, lembranças gravadas em estúdio, um cenário feliz de uma peça inacabada. O estranho é isso: não acaba nunca! A coisa vai se imprimindo na memória, parece que está fora de moda e, de repente, vem de volta, numa onda, e se vai em espuma com a maré de sorte. Fica a maresia, a eterna sensação de mar, a ferrugem nas dobradiças... E se coloca um óleo, um grafite, e se disfarça os rangidos, até trocar por uma porta nova. Mas o espaço dos portais está lá, recordando, a cada dia, que ali já houve uma casa. Formigas ouvem música na pedra, o vento varre varizes vazias, o sangue pulsa e jorra saudade. Adeus tem gosto de nunca mais. ************ Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 21/04/2007
Alterado em 21/04/2007 Comentários
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