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![]() Poema de Outono
®Lílian Maial Eu vi um verso vadio vagando na várzea. Um verso de mais de metro, soltando rimas ao vento. Fazia frio e o poema era de outono. Tinha um pôr do sol nas bordas das dúvidas, um ocaso trêmulo de expectativas. Às vezes, uma gaivota interrogava o entardecer. Vinha um bando de folhas atapetar o caminho da noite, rastro da lua, milagre de ouro em prata. Eu vi um poeta pisar na poça. Parir quartetos inquietos e tercetos insones. Era tarde e a madrugada suava de nervosa. Vez por outra, um bêbado tropeçava numa letra vagabunda, pé quebrado atrapalhando a poesia, e seguia o bardo sem teto e sem mantra, fazendo que não via a mula sem cabeça. Eu vi um sol nascer branquinho, cheirando a pão com manteiga, chamando o verso vadio para o dia. Ainda havia neblina nas palavras e o poeta sentou-se à mesa, entre hífens e vírgulas, se empanturrando de café com sonho. Lá adiante, na linha do horizonte, uma andorinha alinhavava uma chave de ouro. ************* Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 28/03/2013
Alterado em 21/10/2020 Comentários
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