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Lílian Maial No peito-húmus, um músculo ávido de palavras. Revolver a terra, adubo em gotas, versos irrigados. O verbo cala, o solo seca, racha-se a criança - migalha de pão dormido. Fome e chão, pisa descalça em brasas da indiferença. Pele e sangue ressequidos, aridez de lágrima, espinho e barro a maquiar a pele, manchas de verde e amarelo. Chora a pátria, pétrea de matas pálidas, alopécia de cores, extensas clareiras. Terra vermelha coberta do pó, rugas no mapa, pistas de pouso - Clan-destinos. Onde o branco, a pureza, a promessa? Traída a terra, ouro de tolo, sorriso de icterícia, parcos dentes de mastigar solidão. Céu de anil, nuvens sanitárias, homem esquálido a plantar pesticida. Traída a terra, clamor rouco e abafado, fumaça dos charutos cubanos, pendurados nas bocas patronais, sem lei e sem letra. Traída, a terra lamenta por seus filhos, amamentados de esmola, de enteados cuspindo confeitos, mordendo, com presas de ouro, o amanhã e a decência. Traída a terra. Punhal enterrado no seio, mãe órfã de rebento raquítico. Abre-se a fenda, engole o que resta: homem e praga, riso e lágrima, orgulho e carbono. Num futuro fóssil, tropical tupiniquim, semear e colher... Milagre! ********** Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 13/03/2007
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