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![]() AVOADA
® Lílian Maial O pássaro que me habita bate asas ao contrário, sobe pelas paredes, desperta no meio da noite, molha o bico nas luzes da rua. Brinca de voar debaixo d’água, no chuveiro, e canta... O pássaro que tem meu nome é um bicho estranho, ele se vê no meio do furacão e se afasta, sem pudor. Foge, na verdade. Tem medo de escuro, de gente, tem medo de leis e dos homens, pássaro covarde ou, simplesmente, só. O pássaro que mora em mim queria ser imortal, mas suas asas pesam, em dias de chuva, e derretem, em dias de sol. Passarinho sem vergonha, volta e meia se finge de morto, apaga a canção e cerra os olhos, até que eu me abra a gaiola. ********** Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 27/11/2012
Alterado em 21/10/2020 Comentários
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