![]() |
|
![]() PANIS et CIRCENSES
Lílian Maial Há dias de apascentar os olhos no levedar das horas, pelo circo das janelas de molduras reluzentes, disfarce oportuno, distração de tontos. As vértebras exibindo sinuosas torturas nas bordas do silêncio, ensurdecido pela blasfêmia do escárnio obsceno das telas brilhantes. Não se olvide, porém, a índole do porvir! A mão que acusa o estro subserviente é a que se apega à lâmina da sedição. A paixão estuando o músculo, num crepúsculo de dignidade. No tempo em que o homem ciceroneia o homem, mitigados ditames de solidão, a verdade salta diante do torso corcoveado de intenções servis. Há muitos perigos no vazio doloroso da fome entalhada a fogo. Nenhum homem há de subjugar um irmão! Nenhuma horda a comandar o verbo! Na aceria latente da palavra, a rima do pão é a mão estendida e sua métrica as vozes plurais a saciar a fome. *************** Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 22/03/2012
Alterado em 21/10/2020 Comentários
|


