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CENA URBANA
Lílian Maial
Na turbulência das ruas, a harmonia do caos emerge da sarjeta. Pequenas folhas correm para o ralo, como a acariciar granitos, loucos em sua rigidez, sofrendo com os bêbados, as meninas de rua, drogados, corpos desovados. O orvalho das manhãs vem lavar o sangue das tragédias, o desespero das ausências, o silêncio dos ventos apáticos. Na copa das árvores, alheias a tudo, novas folhas se balançam, arteiras e ternas, desconhecendo a lama, o esgoto e seu destino final. O homem varre as folhas no solo, na cadência dos gestos, selando o caminho das que foram, horas antes, alegria, verde, poesia. ***********
Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 23/11/2006
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