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![]() A PAZ
®Lílian Maial Quando as almas se despedem, num murmúrio branco, os lábios cerram as possibilidades de canção. Num segundo, a vida. Simples é a morte. Não apraz. Há uma pressa de cuspir espinhos. É preciso sorver o grito repetidas vezes, atear o medo na manhã de sonhos violados. A paz é fugaz. Fica o caos na cegueira pacífica. A mão que acena é a que condena, revolve o coágulo ressequido da gangrena, pulveriza o ranço dos dias feridos de futuro. A paz não tem paz. No meio do dia, o réquiem soturno da noite. Silêncio de flor e pedra. Voo maculado de uma pomba. Manhã natimorta. Os ossos da cidade recolhem restos de fortuna, Pathos putrefatos de promessas. Perdem-se no poente do tempo os olhares da multidão, corveando mazelas, que a paz é feita em cacos do passado. ************ Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 16/04/2011
Alterado em 21/10/2020 Comentários
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