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BRUXA, INFINITAMENTE BRUXA...
BRUXA, INFINITAMENTE BRUXA...
®Lílian Maial Descobri-me bruxa menina, Ao perceber-me mulher, Ao desvendar os segredos todos, O reconhecimento da fêmea. Saber das curvas e sinuosidades do corpo, Conhecer a memória ancestral. Vi-me bruxa, ao deixar aflorar essa parceira silenciosa, Apontando o caminho da sensibilidade, Dos sentidos aguçados. Percebi-me capaz de vivenciar as experiências, explorar o corpo suavemente, sentir cada dobra de pele, deixar a água percorrer os montes e vales, entender o prazer, tomar posse do próprio prazer. Sou mulher, feita de voltas, montes, circunferências, Sou doçura e transcendência, O caminho da profundidade. Não me pertencem retas ou lanças, Aprisionamento fálico ou fóbico, rigidez, frieza e solidão. Sou a que cuida, A que cura e suporta, A que restitui as curvas ao mundo. Por isso sou bruxa. Há que dançar e celebrar a colheita, sentir o pulsar alegre que emana da terra, cumprimentar as borboletas, restabelecer a ligação com a Grande Mãe, a Natureza. Sou bruxa sim, parte de um maravilhoso sistema encantado, sem medos ou angústias, em compasso com todos os elementos. Sou bruxa, porque me sei mulher. ******** Minha homenagem a todas as bruxas, aquelas mulheres livres, inteligentes, politizadas, donas de sensualidade e conhecimento do corpo e da natureza, barbaramente perseguidas e torturadas pelas sociedades machistas, queimadas cruelmente apenas por ousarem ser o que são: mulheres! *********
Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 31/10/2006
Alterado em 31/10/2006 Comentários
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