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![]() ENTROPIA Lílian Maial Poupa-me da travessia de noites extraviadas, Da ditadura dos suspiros da palavra, Da moldura do teu sorriso pérsico. Livra-me da ensurdecedora notícia dos teus dias, Da premissa das frestas de olhares vagos, Do impulso premente de fiar ausência. Preserva-me das lôbregas profundezas da covinha do teu queixo E do abismo abrolhoso do silêncio, Em queda livre por anos-luz de apascentar dúvidas. Quisera desvendar-te, conhecer teus oblíquos motivos, Enfeitar teus suores de rubor pérfido, e colher o rescaldo do ofertório de claustro mariposeado ao teu redor. Expulsa-me da cama de opalina, Da torturante mácula do vazio, E lança-me à demência, envolta em sídon, Para que eu possa riscar-te de mim E enterrar o olhar cisalhante, Pousado nos galhos reumatóides Do solstício do que não vivi. *********** Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 03/01/2011
Alterado em 21/10/2020 Comentários
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