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ABANDONO
Lílian Maial
Não me venham com versos, atenuantes, ladainhas e perguntas sem sentido. Nada de beleza, candura, compreensão. Hoje quero o ar poluído, sufocar de fumaça meus olhos toscos, tossir todos os senões do dia. Quero que a lua apague, que as estrelas fiquem caolhas e que as horas se arrastem feito choro engolido. Quero a ausência de cor pelos cantos, a frieza do telefone mudo, o ônibus cheio de espaços sentados e alguns de pé, saco! Por agora jogaria a roleta russa, tomaria um café irlandês e me fecharia num baú de memórias. Quem sabe não dormiria o sono dos justos e acordaria ontem, quando ainda havia algo de mim? ***********
Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 14/09/2006
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