![]() |
|
![]() Eu Tenho um Rio
Lílian Maial eu tenho um rio que brota de dentro e traz à tona o que foi sedimentar tenho margens estreitas, correnteza furiosa sem escolhas, apenas desaguar invado e erodo, aliso cascalhos até escorregar no limo do verbo eu tenho um rio que leva as paredes que se erguem em meio ao lixão da poesia e soterra a palavra viva eu tenho um rio de inundadas faces e chovo poemas de sangue eu tenho um Rio de Janeiro no peito estiado e expio a falta da lembrança do teu rosto ************ LAMA E LÁGRIMA Luiz de Aquino Brotava de mim um poema choroso, de chuva de letras e lágrimas vírgulas. Um veio de triste manchava meus olhos à lama escura de um lixão esquecido. Chorei plástico e lata, indefinido orgânico, e fiz brotar o chorume na raiz das casas. Eu não chorei um rio, mas o Rio de tantos corações e janeiros, desde Sá e Araribóia. Um rio de cá, o outro de lá e Itaipu. Não era um céu, mas meus olhos; o verso, um claro de lama e pedras sem verde. E um rastro de sal na lama e na lágrima. A bênção, Bumba (meu morro)! ************** Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 08/04/2010
Alterado em 21/10/2020 Comentários
|


