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![]() SUBMERSOS
®Lílian Maial A chuva crava pingos-pregos na carne da palavra. Cala impiedoso deságüe. Total atrevimento, irrequietas águas. O Rio submerso. A terra, ferida terra, sangra húmus e homens. Nada se move. O homem é grão. O lixo é o pão. Recende a lama, lágrima, escansão. Um Rio celeste encharca a poesia. Respingam versos na falta de espaço. Entre prédios e barracos soçobra um infiltrado de (m)águas. Espirra, nos olhos do dia, o espanto desolado. Na correnteza, um pequeno galho flutua o absurdo. Puxa a rotina e as certezas. Afundadas em si, poças de esperança. Espelho d’água. Reflete e transborda. Arranca, joga e (des)mata. Dói abrir a janela. A realidade inundada. Ao útero da terra retornam em silêncio. A chaga se desvanece líquida. Nada a fazer, senão lavar a sujeira, enxugar o grito, evaporar. Navegar é preciso. ******************* Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 06/04/2010
Alterado em 21/10/2020 Comentários
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