Lílian Maial

Basta existir para ser completo - Fernando Pessoa

Textos


UMAMI*
®Lílian Maial
 
 
 
 
Vem de onde esse fel que amarga o poema,
 
que brinca de corroer os lábios
 
que profetizam teu nome?
 
Há um gosto que não tem sabor.

A textura da palavra engasga,

num escorregar de sumos,

e resiste à fome dos homens.


 
De inesperado,

um facho de luz sussurra ao ouvido,

no alumbramento das idéias,

como um rasgo de sorriso

que se apruma no canto da boca.


 
Percebo tua essência em meio à poesia.
 
Perfumas o rastro de morte
 
- das letras dos versos -
 
com grãos de setembro, 
 
num brotar de escrita em chamas,
 
lambendo a tarde cálida e sem poentes.
 
 
 
Abre-se, mais uma vez, a ferida,

florada entre pequenos coágulos de sonho.

Voltam-se olhares frágeis,

como que a perceber a lenta agonia
 
dos que sucumbem à fome
 
e à falta de frases.
 
 
 
É no jazigo que se inventa o homem,

que se reconstrói o corpo do passado,

que se prova o aroma.
 
 
A morte não tem mistérios,

ocupa o que era mar,

o que era vento, sol e riso,

descarta o que era dor e lamento,

e renova os paladares de um velho poema:

esquecimento.

 
*****************
 
 *o quinto gosto básico
 
 
 
 
 
Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 02/03/2010


Comentários



Site do Escritor criado por Recanto das Letras
 
Tweet