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![]() LABIRINTO
para Luiz Fernando e Bruno Prôa ®Lílian Maial Um choro súbito - a chegada! Corredeira de risos, travessuras e caminhos. Um sopro abrupto, a mão fantasma que leva o menino. Um gole, um trago, um cheiro, um pico e um poço fundo e insosso. Desfilam anjos em revoadas, Desejos travestidos de monstros azuis, de seios fartos e músculos rasgados. Náuseas e gozos de lágrimas e suores coloridos. Prisão num abismo eterno que despenca e roda e roda e roda. Um choro convulsivo – a demora. Sonhos de pedra que pesam a amargura da falta de chão. Um grito, um medo, um dano, um filho e um pai e a luta. Tão lentamente os dedos se afastam sem forças e sem chances. As rochas e o sol por testemunhas, dureza de águas sufocantes, de superfície que não chega, de imensidão largada, sem paredes. Um choro baixinho – a entrega... Um corpo e um gesto, e a flor deflorada murcha em botão. Só os espinhos por plateia e o silêncio do fato consumado, consumido e inconformado. Lá longe, lá atrás, a porta. À frente, uma consciência de profundidade, um salto para o nada, abandono do grão de areia. Um choro sem pranto – o veredito: saudade e lembrança, uma vida e uma vida, planos e projetos sem sentido e a inesgotável certeza da força do sangue, dos laços inapagáveis, da união na dor e no desalento, quando se olha e se vê o engodo e o milagre, a criança e o pai, os destroços e a poesia, e se entende que tudo, sem janela e sem porta, sem juízo ou sentença dos homens ou dos deuses, é um eterno recomeço. **************** Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 28/10/2009
Alterado em 28/10/2009 Comentários
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