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![]() PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE CRAVOS... (aos amigos portugueses) ®Lílian Maial E desce a foice, encoberta pelos hábitos, caldos e migalhas. Decepa cabeças e troncos, destrói o milho, que não espera a desfolhada. Um vulto negro sobrevoa tilintando o poder, entrelaçado de artimanhas, num debilitar de conquistas, até o sórdido aquiescer dos silêncios. Onde os direitos fundamentais, a resistência, os trabalhadores? O manto oculta as violações, os saques, o sonho de democracia. Era apenas abril, mas o céu trazia a promessa de farta colheita, o cheiro de vida e futuro. Hoje resta o discurso e o fosso, Que enterra a paz social e as liberdades. O sangue ainda tinge o cravo, mas a tirania do ouro empalidece a tez da igualdade, numa revolução fictícia e benta de interesses. Sinuoso monstro de feições conhecidas, o verme capitalista devora lentamente o grito de Abril. O trabalhador carrega o fardo e depõe as armas, a voz, a força, acuado por fantasma que arrasta correntes alheias. Novamente é Abril e o povo sabe. Navegar é preciso. Mudar é preciso. Muda o rumo, a esperança, a justiça! A mentira é prato forte da serpente política. A batina esconde a venda e a fortuna. E não há anjo da reconciliação de classes! Fome e miséria não esperam, e os pobres já não querem mais se alimentar apenas do suficiente para continuarem escravos dos seus senhores... *********** Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 25/04/2009
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