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HOMEM DE PEDRA
Homem de Pedra
Lílian Maial Eu conheci o homem de pedra. Aquele que não sonhava, que se bastava, que não amava. Conheci a pedra e todas as suas ranhuras. Deslizei na superfície e tentei penetrar-lhe a essência. Conheci o homem de pedra, e busquei atravessá-lo com as cores das palavras, encantá-lo com os versos das canções. Conheci o homem e suas idéias, seu sabor de solidão e desapego. Que a pedra é seu estado latente, contra os dias e os não dias. Rondei seus pesadelos e quase lutei com seus fantasmas. Rolei em suas ribanceiras. Despenquei das ilusões rarefeitas. Conheci um dia esse homem e, água que me fiz, pensei furar a pedra dura, de tanto bater. Mas percebi-me tão pedra quanto ele. Uma pedra ao avesso. Que rola feito lágrima por seu corpo. Que espera feito o velho por seu sorriso. Que se engana feito criança por sua palavra. Que lamenta feito aquele que não viu passar o tempo. Que se aloja no fundo de um lago, atirada por um gesto qualquer, condenada ao esquecimento, feito o homem de pedra. *************
Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 15/04/2006
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