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![]() BREVE LUZ DE UM TEMPO BREVE
Lílian Maial O muro que se ergue sorrateiramente, barreira entre o agora e o esquecimento, constrói, de pronto, a morte sólida, sentida no peso das pálpebras ou no fascínio do sono. O abismo que se abre a teus pés te questiona o destino, o caminho, o rumo entre as pedras. E vem o santuário de lembranças, em lapsos insanos, assombrar o espelho e a ampulheta. O que te falta são os risos e a inocência de um bem-estar de certezas e gestos simples, que não recendem a pó de pedra ou argila. O que te cabe é a medida exata do leito, onde deixaste o momento escapar. O que fustiga é a noção da hora próxima, descobrir que tanto adiaste a vida (para um depois, que foi ontem), que te perdeste do atalho, distraído com o olhar nas coisas do mundo. A existência conta os minutos, e a poeira recobre lentamente os versos. Já não se enxerga a lua do poema. Uma porta no tempo te mostra que todo o instante é passado, e que, se não o vives, ele se esvai, apagando como os tantos rostos que já amaste mais que tudo, e que, agora, quase nada. Não! Não quero ser mais um rosto do passado, se desfazendo na bruma do esquecimento! A palavra resiste na pele e na garganta. Sente o cheiro da poesia e embriaga-te! Sente o gosto do medo e cospe-o! O tempo corre sob teus pés, descalço de dúvidas ou hesitações. Alçar vôo talvez seja tua única razão. *********** Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 21/01/2009
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