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RESGATE
RESGATE
Lílian Maial Ele me pagou, tintin por tintin, o que me devia. Não me deixou nem o saldo devedor. Pagou cada lágrima rolada e cada choro preso. Pagou, e pagou com juros, as noites que rolei na cama, as horas que contei no tempo, as dores do silêncio. Pagou sim, e pagou dobrado, todo o calor petrificado nesse meu peito calcinado. Pagou o esquecimento, a chuva, a música, que fingia não saber de cór, o sorvete preferido, o nome do garçon, aquele, o fornecedor dos guardanapos rabiscados, onde imprimia poemas de espera. Ah, ele me pagou, fez questão, e tão em dia, apesar de já ter-lhe, há muito, perdoado a dívida. *******
Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 15/04/2006
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