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ULTIMATUM
ULTIMATUM
Lílian Maial Apenas hoje, escuta-me! Permite que o vento alise-te a fronte, Como a mão antes ofertada, deixada aberta e vazia, Como a voz que não calou, mas que não foi ouvida, Nem em brisas, nem em sombras. Libera o açoite do trigal, feito loura cabeleira a roçar-te a memória, Quando tinhas meu peito no teu, e meus cabelos de afagos. Apenas hoje, cala-te! Deixa que eu ecoe por tua morada, Que alimente teus dias de calor, Que minha voz te seja tão vital, Que jamais me entonarias. Apenas hoje, olha-me! Enxerga o teu destino, o teu passado, O teu agora, que não há tempo para mais tarde. A vida não aguarda, e não baixa a guarda. Apenas hoje, ama-me! Cala, escuta, sente, solta! Leva esse amor para bem longe, Para as estranhas, para o magma vitorioso. Apenas hoje, deixa eu ser teu gozo. ***********
Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 23/03/2006
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