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O MEU CANTO
Eu canto porque sou voz, cantor só, e sem ter fãs. E também que sou feroz: eu canto para as manhãs. Canto como quem respira: sem fronteiras ou amarras. Canto como quem suspira, eu canto como as cigarras. Canto com o amor à vida e aquilo que dela é bom. Se morrer, canta essa amiga, mesmo que fora do tom. Eu canto a palavra esperta, aquela que vai sem rima. Eu canto essa flecha certa, que, a nós, derruba e anima. Eu canto sem pejo algum, como quem se sabe nua. E canto o lugar-comum, do alto da estrela crua. Eu canto esse desespero, esse mar, essa agonia. Eu canto esse teu desdém, refém da melancolia. ********************
Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 12/03/2006
Alterado em 07/09/2006 Áudios Relacionados:
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