![]() |
|
![]()
RECONSIDERANDO
RECONSIDERANDO
Lílian Maial De alguma tocaia de versos, A vaga lembrança de vida. Sinais de sobreviventes, Pistas nos caminhos dispersos E um cantar de pássaros e borboletas (não que borboletas cantem...). Era tarde e quieto antes Que esse teu sol me raiasse. Era outono e folhas flutuavam sem querer cair, em sua sabedoria vegetal, como adivinhando a inversão nas minhas estações. Bem-vinda dor! Que tu me morras, Se nesses braços tenho algum alento! Que me mates, se é teu contentamento! Gosto de pensar que me velarias, Que me enfeitarias e cobririas de flores e beijos E que me irias dizer cânticos e salmos, Como a embalar-me no berço. Agora que despertei de teus sonhos, Amamenta-me de teu sorriso, Que cheguei faminta de rimas. Quero um gole de teus dias, A paz de tua irrequieta alegria E a falta desses teus tão poucos dias. Enquanto subtraio-te as dúvidas, Calcule meu passado, noves fora, hoje, Que aqui e agora sou recém-nato, Completamente dependente, E livre do teu recato. Ortodoxa incrédula, Sou a cédula que te mal paga, A célula que te mal vinga, A santa que te maldiz, E a cria da tua agonia. *********
Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 23/01/2006
Comentários
|


