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![]() 14/01/2011 16h57
O CHORO DA SERRA
O CHORO DA SERRA
®Lílian Maial Aprendi a gostar de finais de semana quando ia com meus pais, bem pequena, ao Museu Imperial, em Petrópolis, e deslizava com aquelas pantufas enormes, encantada com o luxo e a exuberância da corte portuguesa na terra brasilis. Aprendi o que era o lado direito e esquerdo na casa de Santos Dummont, nos degraus da escada de um pé de cada vez, e a ver as horas no Relógio das Flores, em Petrópolis, e a me imaginar princesa, em valsas intermináveis, no Palácio de Cristal. Aprendi a dar o primeiro ponto de sutura num hospital, em Teresópolis, sob a orientação do Dedo de Deus, que me trazia alumbramento. Aprendi a guardar lembranças e sabores da padaria da rua principal do Alto de Teresópolis. Aprendi sobre vento, árvores, pássaros, um friozinho gostoso e muita paz, em Nova Friburgo. Aprendi a gostar de comida alemã e a entender que suspiro não era só doce de clara de ovo e açúcar, mas que era também o nome da praça principal, onde se provava qualidade de vida. Aprendi que viajar para a região serrana era uma forma de apreciar a Mãe Natureza, em sua majestade, do meu Rio de Janeiro. Sou tão pequena para entender a Grande Mãe! Tanta água, tanta força, tanta dor... Não aprendi a desapegar das humanidades todas. Não aprendi a deixar de sofrer pelos que tudo perdem. Não aprendi a desaprender. Hoje, mais água inunda o peito, infiltra o coração e desaba em sal e desolação, soterrando o sorriso e deixando a poesia em escombros. Sou pequena diante da Grande Mãe, mas me fundo aos que lamentam seus filhos, amaldiçoam as águas furiosas e as irresponsabilidades todas. Construir sem destruir. Grito um grito de indignação e impotência. Choro com saudade da infância. Visto minha alma de luto e vontade. Elevo uma prece de resgatar coragem. E entoo uma canção de reerguer mais um dia. ******************* Publicado por Lílian Maial em 14/01/2011 às 16h57
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