Lílian Maial

Basta existir para ser completo - Fernando Pessoa

Meu Diário
27/02/2010 17h26
TREMORES DA TERRA
TREMORES DA TERRA
®Lílian Maial
 

 
A Terra é viva. Ponto. E se move. Ponto.
Só não sabemos em que fase está quando treme.

Às vezes, se comporta como criança de sono agitado, se mexe, se vira e revira, malcriada e esperta, inconseqüente e cheia de energia. E treme, e venta, e inunda, e incendeia.


Talvez aja como a menina ou o menino adolescente, que recebe seu primeiro beijo e treme, e sua, e dispara o coração.

Quem sabe o rapaz ou a moça, que presta concurso para o primeiro emprego e se deixa tomar pela ansiedade e pelo prazer que faz o corpo tremer?

Há, ainda, a possibilidade da mulher ou do homem, na entrega do amor, na descoberta do prazer a dois, no tremor das delícias do corpo e da alma.

O que dizer do casal que vê nascer um filho e não consegue segurar a emoção, e chora, e ri, e treme de euforia e medo?

Ou, em outra hipótese, o tremor da mágoa, da raiva e do desgosto da separação, do desamor, do fim.

Também o velho desgostoso, que já perdeu tanto, e treme e treme e treme, porque é o que lhe resta de rebeldia da juventude.

Ou nada disso e tudo isso, à beira da morte, num suspiro, estremece o corpo, como a exorcizar os pecados, para descansar em paz.

Por último, até depois de morto, o planeta pode ser como aquele que acabou de partir, mas que não deseja ir, e o corpo ainda busca a vida, numa finita contração, que faz tremer.

A Terra é viva. A Terra treme. P
                                                     o 
                                                                n
                                                 t
                                                    o.

 
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Publicado por Lílian Maial em 27/02/2010 às 17h26



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