Lílian Maial

Basta existir para ser completo - Fernando Pessoa

Meu Diário
30/01/2009 00h04
MULHERES TOTALMENTE BOAS?

 
®Lílian Maial
 
 
 

      Gosto de passear por blogs, quando posso, principalmente os de literatura, de poetas novos, onde descubro universos tão semelhantes ao meu e, ao mesmo tempo, tão distintos. Isso a internet tem de bom, me permitindo viajar por corações e mentes com facilidade e à hora que eu bem entender.
      Chato é quando me deparo com corações estranhos e mentes esquisitas. Dia desses, entrei num blog que me foi muito recomendado, de poesias gostosas de se ler, atuais, antenadas, mas me decepcionei bastante, por conta de textos e comentários preconceituosos. O pior deles: “não creio em mulheres totalmente boas”.
       Vindo de uma mulher, isso me deixou perplexa! 
      Tudo bem ser fêmea, ser livre e independente. Tudo bem fazer escolhas e ter opções, mas não se pode ignorar a natureza e, muito menos, criticar quem justamente fez sua opção diferente da nossa.
      Mas não pára por aí. Me deu um desconforto muito grande verificar que, até entre poetas e escritores - pessoas que deveriam ter maior sensibilidade e uso consciente da palavra – habitam sentimentos patéticos e elitistas.
      Não suporto o preconceito de pessoas que não aceitam as opções alheias. Se há quem curta dietas rígidas, que mal há na opção de não ligar para a aparência e ficar acima do peso estético? Se há a opção pelo casamento, por filhos, por que não se pode querer ser só? Se há alisamento de cabelos, por que não se pode querer tê-los crespos? E por que não o oposto?
      Tenho ojeriza a pseudo-liberais, a gente contrária a tudo e a todos, apenas porque ainda não encontrou seu caminho e sua identidade.
Pode tranquilamente haver conciliação entre idéias feministas e o prazer de cozinhar para quem se  ama. É perfeitamente cabível ser independente, ter uma carreira brilhante, e chorar bem de mansinho, sem ninguém saber o porquê.
      Me deprimem mulheres que disputam com outras a beleza, a elegância, a inteligência e a popularidade, só para arrotarem uma superioridade que sabem, no íntimo, que não têm.
      Me deixam doente as que fingem orgasmos, as que sorriem de aparência, as que agridem quem não conseguem vencer no argumento.
Me assustam as mulheres muito perfeitas, que pensam que a felicidade é uma roupa nova, que se troca quando se enjoa ou sai de moda.
      Tenho pena das muito piedosas e santas, que não gozam e preferem apagar a luz.
      Não suporto as que não toleram!
      Não tolero as que não suportam!
      Tenho medo das que dividem o mundo entre feio e bonito, e se perdem no infinito abismo entre essas duas palavras. Há sempre o dia da solidão.
      Desconfio das que se escondem sob o véu da inteligência, que certamente escondem um medo interior de fracasso.
      Mulher sem idade, sem dramas, dona das vontades, que diz o que pensa e não aceita que os outros diferentes? Sei...   Não defini se é imaturidade, preconceito, presunção ou apenas querer chamar a atenção, se fazendo passar por modernosa.
       Mulher-espinho? Não! Definitivamente eu prefiro a rosa!
 
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Publicado por Lílian Maial em 30/01/2009 às 00h04



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