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![]() 22/10/2007 20h19
Logomarca vencedora!!!
Essa é a logomarca vencedora do concurso para criação de uma figura que representasse o Movimento Internacional Poetrix. (MIP).
E eu sou a autora! Entrei no concurso meio que displicentemente, uma vez que não tenho formação em design ou publicidade, muito menos arquitetura ou desenho, mas tenho uma paixão pelo poetrix, e o 3 - três - trix - está incorporado no meu sangue. Assim, no dia que foi aberto o concurso, há quase 1 ano, resolvi inventar um "selinho" que, no meu entender, tivesse a cara do poetrix. E aí está ele! E fiquei satisfeita de saber que a comissão julgadora entendeu meu recado. Agora convoco a todos os que não conhecem ou não dominam a arte do pooetrix, para entrarem no site, no intuito de se familiarizarem com essa paixão minimalista: www.movimentopoetrix.com Publicado por Lílian Maial em 22/10/2007 às 20h19
16/10/2007 21h21
SÓ VOCÊ
Hoje não vou postar um texto meu, mas esse belo poema que recebi de um amigo poeta, que insiste que não é. Deixo aqui o testemunho de que ele é:
SÓ VOCÊ Dacio Helene Júnior Ainda te procuro, dou golpes na lembrança,
mil deles na memória,
que faz por te esquecer...
Te prendi na igreja,
no forte,
no local da execução.
Caíste, mas como esteio
arrastaste a ira,
a dor
e o desamor...
Caíste, mas ao cair deixaste
o calendário ferido,
os dias tintos
e o instinto molhado...
Caíste com o pensamento livre,
com a alma insana,
com a dor latente,
com a saudade demente...
Não sei das tuas dores,
nem dos teus desamores,
sei apenas das pontas
que sobraram do teu silêncio bravio...
Sei apenas que transpiras por trás da nuca,
rodopias e giras, silêncio e recordação,
poeira, vento e verão... ******* Publicado por Lílian Maial em 16/10/2007 às 21h21
18/09/2007 19h39
DE LUTOS E RESSUSCITAÇÕES
®Lílian Maial
Conhecemos como “luto” o estado de lamentação e sofrimento pela perda de parentes próximos, como pais, filhos, cônjuges e irmãos. “Fulano está de luto”, e entende-se que faleceu alguém da família. Nem sempre. Lutos podem estar relacionados a crises, e sem a necessidade de um óbito. As perdas, de maneira geral, desencadeiam nas pessoas um processo semelhante, onde a idealização (depois da perda) leva a crer que, antes, tudo era perfeito. Falso isso. Na maioria das vezes, o que se perdeu – excluindo aí as perdas trágicas – se foi perdendo ao longo de um vasto caminho. A perda foi gradativa, foi negligenciada, foi, em alguns casos, desejada, porém, por conta de inúmeros sentimentos arraigados, tende a ser idealizada como algo que era bom e que nos foi tirado. A perda de status, perda de função ou cargo de confiança, perda de investimentos, perda de um grande amor, a separação conjugal, a saída dos filhos de casa, a perda da fertilidade (nas mulheres, com a menopausa) e da virilidade (nos homens, com o fantasma da impotência), a aposentadoria, a limitação física, a perda a juventude, são também lutos a serem trabalhados, sempre com todo o cortejo de dor e dilaceração do peito. A mulher, de maneira geral, tende a vivenciar o luto com mais entrega, com mais paixão, e é algo bastante compreensível, pela emotividade exacerbada. Uma amiga querida está atravessando um desses lutos. Jovem ainda, se viu diante de uma separação conjugal, que, por si, já é um luto, porém esse veio ladeado por outros. Essa amiga se dedicava quase que integralmente à família, deixou de trabalhar, deixou de realizar atividades sociais sozinha, cuidava do esposo e filhas, trazia a casa sempre um brinco. Vivia com folga financeira, uma vidinha estável, até mesmo um tanto monótona, como a ouvi algumas vezes reclamar. De súbito, a separação inesperada e a dor da perda do homem amado. Do homem com quem se acostumou às qualidades e defeitos, ao companheiro de quem tanto reclamava, e que, de repente, passou a ser o homem ideal. Junto dele, a perda da casa, onde morou todos os anos do casamento, a perda do status de casada, a perda dos amigos comuns, do clube, perda financeira. E tentar se acostumar com a cama vazia, o armário vazio, a casa vazia. Essa amiga chorou todas as lágrimas que julgava ter, rasgou cada fibra de que imaginava ser feito seu coração, lamentou cada palavra não dita, cada carinho deixado para depois. Apavorou-se com a responsabilidade de criar as filhas sozinha, fazer compras sozinha, planejar a vida sozinha. Entrou em pânico com a possibilidade de adoecer sozinha. Foi ao fundo do poço, se isolou, se maldisse. Depois criou coragem e amaldiçoou seu homem, seu ex. Daí imaginou outra em seus braços e se olhou no espelho. Viu-se feia, sem atrativos, mal cuidada (o espelho é cruel nessas horas). E chorou mais lágrimas guardadas não sabia onde. Como todo luto, o tempo trata de amenizar a dor, e os caminhos vão se abrindo, o céu vai clareando, e tudo tende a tomar seu rumo e seu lugar. No entanto, o luto é uma ferida que não fecha completamente. Ou melhor, fecha, mas a cicatriz vai estar para sempre lá, à mostra para quem quiser ver, e geralmente quem vê é quem perdeu. Não se pode esquecer de um filho, só porque ele se foi. Pode-se até ter mais meia dúzia de filhos lindos e queridos, mas o que se foi nunca deixará de ser um filho que se foi. A perda deixa cicatriz para lembrá-lo. Assim são todos os lutos. Não adianta tentar arrancar um amor perdido do coração, que a cicatriz das doces lembranças vai se aguçar a cada música dos velhos tempos, que tocar em alguma rádio desavisada. Ou a cada cheiro conhecido. Ou a cada paladar familiar. Ou a cada lugar antes freqüentado a dois. A vida é a busca eterna da felicidade, obstruída pelas perdas. A felicidade é algo que normalmente só se dá conta depois que se perde. A perda é a constatação de que se era feliz, ou a ilusão de que se foi feliz alguma vez. No fundo, a felicidade não pode estar atrelada a uma outra pessoa, ou a uma condição social. A felicidade é um estado de autoconhecimento e auto-satisfação, que só pode ser alcançada pelo próprio indivíduo e suas realizações. Uma pessoa feliz pode atrair e se sentir bem ao lado de outra, mas essa outra nunca poderá ser a responsável pela felicidade de seu par. Ou seja, a felicidade é individual, o bem-estar é coletivo. E o luto só é trabalhado e resolvido, se a perda for entendida como sendo de um fato, uma situação, uma companhia (mesmo que da vida toda), e não da pessoa em si. Aí, é o momento de se suturar, fazer curativos diários, até que só reste a cicatriz risonha e corrosiva, aquela que irá relembrar fases boas e ruins, mas que pertencem ao passado e assim devem permanecer. É como a infância, que perdemos e sentimos muito, mas deixamos para trás, apenas como boas lembranças, para abraçarmos o futuro, seguirmos adiante e ganharmos uma nova condição de vida, com novos horizontes e novas chances de recomeçar. Então, é entender a perda, assimilar e guardar as boas lembranças, agradecer a oportunidade de ter vivido aquilo tudo, e ceder lugar à nova pessoa que ressuscitará daquela perda, para avançar na caminhada, ousar novas conquistas, sem medo das perdas futuras, que inevitavelmente virão, pois que a vida é uma gangorra, onde devemos usufruir os “altos”, porém entendendo que há os “baixos”, e depois novos “altos”, e novos “baixos” e por aí afora. ********** Publicado por Lílian Maial em 18/09/2007 às 19h39
01/09/2007 12h20
A CRISE
®Lílian Maial Publicado por Lílian Maial em 01/09/2007 às 12h20
10/07/2007 21h20
TSUNAMI
®Lílian Maial
O dia amanheceu claro e azul, não cinzento e nebuloso, como era de se esperar, diante da dor e da lamentação. Não! Pássaros ousavam cantar, desobedecendo ao silêncio de luto que todo final de amor deveria merecer. Não era um réquiem, mas uma alegre brincadeira nos galhos da manhã. Por que não chovia e trovejava? Afinal, corriam rios de lágrimas pelos olhos de Marilda, cujo coração fora devastado por uma onda gigante de maldade, e a mente dilacerada por pensamentos contraditórios, que a conclusão alguma chegavam. Era o fim, ela sabia que era o fim, mas não entendia a razão. Tudo parecia tão bem entre eles, então por quê? Marilda conheceu acidentalmente José Eduardo nos corredores da empresa de advocacia na qual trabalhava, quando ela distraidamente derrubou uma pilha de processos que ele carregava. Após vários pedidos de desculpas e uma ajuda a empilhar novamente os processos, ela sai apressada, com a sensação de que já havia visto aquele homem antes. Dias depois, para sua surpresa, o tal homem instala-se numa mesa próxima à sua, como auxiliar de escritório de um advogado rival. Começaram a conversar ocasionalmente, pois costumavam chegar cedo, quando ainda não havia movimento no escritório. Depois de algumas semanas, José Eduardo já fazia parte do seu círculo de amigos, apesar de não ser advogado. Marilda nunca escolhera suas amizades por cargo ou posição social, mas sim pelo que a pessoa trazia de bagagem emocional, de bondade e de caráter. Um belo dia, após a conversa matinal, Marilda descobre um bilhete em sua mesa, de letra não identificada, com uma declaração de amor escrita de maneira bem simples, porém de uma sinceridade tocante. Percebe que só poderia ser de alguém dali do escritório, e olha na direção de José Eduardo. Imediatamente verifica que foi ele, e o chama para uma conversa. Explica sua situação, seu estado civil e seu perfil leal, afastando qualquer possibilidade de envolvimento, sem, contudo, deixar que ele se sentisse preterido por sua condição social. Ele se afasta e mantém a distância, porém insistindo com olhares indecifráveis. Marilda passou a se incomodar com aquilo, mas também a sentir falta, quando percebia que ele não a estava olhando. Um belo dia, o homem desapareceu e Marilda notou que sentia falta não do auxiliar de escritório, mas do José Eduardo. Procurou saber o que havia acontecido, mas ninguém sabia informar. Depois de duas semanas de saudade, ela pede a transferência do moço para seu gabinete e assume, para ele, a falta que sentiu. Iniciaram, então, um romance clandestino intenso e conflitante, pois as diferenças eram inúmeras, e ele se sentia muito mal com cada uma delas, mesmo ela não dando valor. E a coisa foi caminhando, e o amor florescendo lindo, forte, profundo. Mas nada é como parece ser, e José Eduardo começou a colocar as manguinhas machistas de fora, a implicar com roupas, maquiagem, amizades e até compromissos de trabalho de Marilda. Esta, por sua vez, sentia-se perturbada pela quantidade de tempo ocioso de José Eduardo, que parecia não se interessar em estudar, em progredir, e ficava tempo de mais com a esposa, ao contrário de Marilda. Ela morria de ciúme da mulher, mesmo percebendo que a tal não era páreo para ela, mas sentia o ciúme corroê-la por dentro. José Eduardo acomodou-se à situação de ter uma esposa dedicada e uma amante apaixonada, ambas sob seu controle. Êpa! Marilda não era mulher de ser controlada por homem nenhum, e começou a deixar isso bem claro. E aí começou o fim. José Eduardo passou a agredi-la de todas as maneiras, com palavras duras ou silêncios inexplicáveis, passou a cerceá-la em todas as suas atividades e a colocar condições para continuar a relação. Ela, cega de amor e compreendendo as dificuldades pela diferença social e cultural, cedeu em muitas coisas, mas ficava infeliz e frustrada a cada nova agressão, como se todo o seu sacrifício em abrir mão de amigos, compromissos e atividades prazerosas não valesse nada. Ela fazia tudo isso consciente de que era em prol de algo maior e muito mais gratificante, só que esse “algo maior” não estava mais preenchendo todos os critérios, principalmente critério “felicidade”. Marilda não era mais feliz. Tinha, sim, momentos de profunda satisfação, quando José Eduardo se entregava a ela de corpo e alma, mas esses momentos eram cada vez mais raros e mais breves, e ele logo dava lugar ao José Eduardo cruel, rude, sarcástico e descompromissado. Sim, era isso! Parecia que ele não tinha mais compromisso algum com esse amor. Era como se ele quisesse todo o tempo provocar Marilda para que ela o deixasse, ou um teste, para ele se assegurar de que ela nunca o deixaria. Porém, ele não contava com uma coisa: Marilda era uma mulher forte e de princípios sólidos, que aceitou tudo o que não concordava por amor, por compreender que nem tudo era alegria numa relação, mas não poderia suportar maus tratos por muito tempo. Tudo o que ela precisava, seu combustível, era carinho, palavras meigas, mimos e paparicos de uma pessoa apaixonada para outra. Mas isso havia acabado. José Eduardo havia se transformado num homem duro, insensível, malvado. Não havia mais motivos para continuarem, contudo ela o amava e acreditava que fosse uma fase e que iriam superar. Até que um dia ela o pegou numa mentira por nada, sem razão, assim, mentir por mentir, e percebeu como era fácil e simples para ele mentir sobre qualquer coisa, qualquer assunto. De repente, veio a sombra da dúvida: o que teria sido verdade e o que teria sido mentira naquele ano inteiro de relacionamento? Compreendeu, então, que nunca saberia. Será que ele agia daquela maneira, inquirindo sobre tudo, se aborrecendo com qualquer programa que ela fizesse sem ele, acusando-a de mentirosa, enquanto que era ele quem mentia? Será que não era ele quem traía e se comportava com agressões para que ela não se sentisse tentada? Será que não era simples insegurança dele, por ter uma mulher como ela apaixonada por ele, e pelo medo dela se voltar para alguém que a valorizasse mais? Se fosse isso, mal sabia ele que Marilda era uma mulher fiel, entregue, apaixonada, que só precisava do carinho de seu homem para ser feliz. Contudo, para se amar alguém, é necessário que se ame a si mesmo em primeiro lugar, e isso significa se sentir livre para realizar os sonhos e projetos de vida. Não se pode trancar uma pessoa numa gaiola, mesmo que de ouro, e esperar que ela fique feliz de saber que seu carcereiro a ama. Isso não é amor, pois o amor implica em se querer ver o outro feliz. Ninguém é feliz preso contra a vontade. Você pode e deve querer estar feliz ao lado do outro, mas nunca trancafiado na desconfiança. Marilda ainda tentou contemporizar e levar a relação adiante, mas José Eduardo passou a estragar todos os encontros com agressões verbais, insinuações, culminando com xingamentos, o que matou a alegria, inocência e espontaneidade do sentimento. Como amar e viver com alguém que não a respeita, não a valoriza? Ela percebeu que ele não suportava a mulher que ela era, embora a quisesse muito, ou, por que não, quisesse ser como ela? Enfim, ele não aceitava sua liberdade, mas queria ser livre. Ele queria relatório diário de suas atividades, mas pouco contava do seu dia, dos telefonemas que recebia, dos planos para os finais de semana. Ela acabava sabendo das coisas bem depois, e ele achava certo, mas não perdoava quando sabia das coisas dela também depois. Enfim, eram dois pesos e duas medidas. Ele se perdoava e sempre tinha explicação lógica para tudo, mas ela não, ela era falsa, mentirosa e misteriosa. E ela estava cansada de tudo aquilo, e resolvera dar o basta. Naquela manhã clara e azul, que deveria ter nascido cinzenta e nebulosa, Marilda assumiu seu grande amor por si mesma e pela vida, e parou de regar a planta do amor. Se José Eduardo não regava, não seria ela a única a cuidar da plantinha. Se ele não se mexesse para salvar a relação, dando a ela amor, carinho e respeito, apoio, compreensão e cumplicidade, companheirismo mesmo, não valia a pena abandonar-se por nada. Chorou tudo o que precisava chorar. Chorou tanto, que inundou o peito e devastou, como Tsunami, as esperanças, os sonhos e projetos de vida com aquele homem. O que restou, depois do dilúvio, foi uma mulher enfraquecida, machucada, coração dilacerado, mas certa de que se reconstruiria e faria das cicatrizes verdadeiros monumentos de amor. Sabia que dos escombros se ergueria nova mulher, mais forte, mais segura, mais feliz, e novamente pronta para amar, e isso foi a herança que José Eduardo lhe legou – a capacidade de amar de novo – além da convicção de que ela era o objeto principal de seu próprio amor. ************ Publicado por Lílian Maial em 10/07/2007 às 21h20
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