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![]() DROIT & CROISSANT
Data: 30/04/2007
Créditos:
Texto: Droit & Croissant - Lílian Maial
Voz e edição: Lílian Maial DROIT & CROISSANT
Lílian Maial Quando nasci, não veio anjo nenhum, só um tapa desses bem dados na bunda, que era para eu já ir-me acostumando. E houve quem dissesse: Chora, criança, que é sinal de saúde. Minha mãe me achou muito feia, meu pai me queria homem. Só minha avó, escondidinha nos pensamentos, me reservava um destino "droit", que de "gauche" já bastavam o mundo e os anjos. A praga de vó deu certo, e a lagarta voou borboleta, aprendeu a parir asas de não sei onde, a se fantasiar de arco-íris e ver estrelas. Tudo culpa de um vírus que peguei inda menina. Todo mundo tinha catapora, eu tinha poesia. E tinha a bronca do tal anjo, que chegou atrasado naquele Carnaval, correndo que estava atrás das pernas todas, de homens e mulheres, que anjo não tem sexo. Até hoje o caído me tenta, me suborna com os croissants de Maria Antonieta, mas eu estou mais para a rapadura de Maria Bonita. Meu Deus, por que não me contaste, se sabias que eu era Deus, se sabias que eu era Mulher. Meu vasto mundo é o universo, não me chamo Raimunda, não me chamo Rosa, e minha rima é pobre, meu vasto mundo é verso e prosa. Eu não devia dizer a Drummond, mas esse vírus não tem cura, passa através da leitura, se multiplica com um doze anos, e bota a gente com jeito de solidão, mas dá um barato dos diabos! **********
Enviado por Lílian Maial em 30/03/2007
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