Lílian Maial

Basta existir para ser completo - Fernando Pessoa

Meu Diário
20/05/2014 16h44
A COPA É NOSSA!

A COPA É NOSSA!

®Lílian Maial

 

“Os tempos mudaram”...  (frasezinha fdp de verdadeira!). Tudo muda o tempo todo no mu-u-un-do... (já cantava Lulu Santos). É isso aí: os tempos mudaram, mas algumas coisas são eternas.

Nasci em ano de Copa, vivi com um pai doido por futebol e cresci amando o Maracanã e o Fluminense.  Vivenciei cada Copa do Mundo com a mesma alegria, agitação e barulho. Torcia tanto, que chegava a doer. Passei por Copas do Mundo durante a ditadura (fomos campeões em 1970, auge da loucura e da dor), na abertura e na liberdade. E nunca vi campanha elaborada para fazer com que desse errado.

Agora, de repente, surge um movimento de protesto contra a Copa. Que o dinheiro gasto teria sido mais bem empregado nisso ou naquilo. É como dizer para uma dona de casa menos favorecida que não compre um brinquedo para o filho, que o dinheiro gasto seria mais bem empregado comprando um bife de filé mignon. Não seria. Ele continuaria subnutrido e mais triste sem o brinquedo. Não é apenas com o dinheiro do brinquedo que se resolveria a nutrição da criança. E se fosse, por que mostrar, então, o brinquedo à criança? Por que deixar que ela o segurasse nas mãos, se a ideia não era presenteá-la?

Aqui se fez protesto por 0,20 de aumento no preço da passagem de ônibus, quando os demais itens de necessidade básica aumentavam e ninguém protestava. No mínimo, estranho...  Quebraram vidraças, caixas eletrônicos de certos bancos (sempre os mesmos?), mas não distribuíram nada aos menos favorecidos.

Já fui chamada de ufanista recentemente, porque simplesmente não concordo em atrapalhar a alegria do povo.

Está certo que estamos num momento difícil da nossa história, em fase de mudança de costumes, em época de ressentimentos, necessidade de providências imediatas (talvez pela chegada de informações a cada segundo, muitas dessas informações criteriosamente selecionadas, para que nos chegue exatamente o que alguns querem). Enfim, manipulações midiáticas que tanto conhecemos (ou não, como diria Caetano).

Entendo tudo, só não consigo entender o ganho disso. Será que pensam que melando a Copa do Mundo vão melhorar o país? Será que tirar a alegria do brasileiro que ama o futebol (e não são poucos) vai mudar o voto deles? Será que atrapalhar o andamento do evento mundial vai nos colocar bem na fita para o resto do mundo?

Nossa mudança independe de Copa do Mundo e independe – pasmem – do partido político no poder. Nossa mudança depende de nós, do povo, da massa, a começar dentro de casa. Enquanto buscarmos jeitinho individual, não teremos uma nação justa. Enquanto precisarmos de cotas e de tantas leis, é porque a máquina não funciona.

O brasileiro realmente sempre acha que o que vem de fora é melhor, que todo mundo todo presta, menos nós. E eu fico doente de ver isso se repetindo a cada dia.

O Brasil é um país jovem, engatinhando no desenvolvimento, tentando arduamente se colocar no resto do mundo com algum respeito, mas é muito difícil, quando nossos erros crassos advêm de séculos de descaso, vilipêndio e absoluta ausência de história e patriotismo. E não é estragando a Copa do Mundo que vamos mudar isso!

Nossa mudança tem que ser nossa, não interessa ao resto do mundo.

Se tínhamos que protestar contra a Copa, por que não o fizemos na época da escolha do país que a sediaria? Por que não fizemos arruaça, greve e outros que tais na ocasião? Agora, que todo o dinheiro já foi gasto, que todas as iniciativas já foram tomadas, que está tudo programado é que vamos azedar o creme? É comportamento típico de perdedores.

Passamos pela pior fase de nossa história durante a Copa do Mundo de 1970 e ninguém foi para as ruas estragar nada. A Copa foi maravilhosa e não distraiu o povo dos reais objetivos da luta pela democracia. Por que agora? Que medo é esse que vem assolando essa comunidade de panfleteiros?

Será que sou ufanista? Não. Sou brasileira, com muito orgulho, com muito amor. Não sou política, sou poeta. E sou tricolor de coração. E sou seleção canarinho. E quero o hexa, sim, senhor!

 

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Publicado por Lílian Maial em 20/05/2014 às 16h44
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