Lílian Maial

Basta existir para ser completo - Fernando Pessoa

Meu Diário
21/01/2009 16h09
AMOR(TE) - poema de um poeta anônimo

AMOR(TE)

JST

 

Quisera compreender exatamente isto tudo:

as perdas, as cisões, os dias em que durmo e acordo,

os dias em que apenas durmo e acordo!


Quisera compreender o vazio que se impõe dentro da minha alma,

aquela esperança meio existencialista de Camus,

de que viver seria bom,

e morrer também não seria mau.

 

Um grande pedaço se foi por aí,

pelas estrelas, talvez...

Pelas noites indagadas, sem uma resposta qualquer.

Perguntar para a noite, para a escuridão cega e muda é bom,

a resposta não chega, o que responde é a alma, a solidão perene,

que se eterniza nas noites insones repletas de recordações,

ou nas coisas que rapto para me lembrar do que foi minha vida,

e me banhar, mesmo que por alguns instantes,

do brilho ofuscado das estrelas,

pelo sentimento de um grande coração.

 

Resta-me viver do amor jé vivido e sentido,

como que me encobrindo feito um manto

e me fazer, ainda hoje, um ser humano pulsando!

 

Resta-me viver do sonho que nunca deixa de ser sonhado.

Maldita dor, que me consome e que encubro,

por dentro do casulo hermético - que é meu corpo -

couraça maldita que me proteje e me consome,

não tendo poros ou aberturas para um alívio sequer!

 

Há o vazio imenso, intransponível!

Uma condenação ou uma danação,

legado de nós dois,

sem saída,

nem para mim,

nem para você.


**************


Publicado por Lílian Maial em 21/01/2009 às 16h09
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